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quarta-feira, agosto 11, 2010

Futebol: Regras para melhorar a Acção Ofensiva

Equipa:

- dispôr o maior número de recebedores potenciais;

- garantir amplitude e profundidade no ataque;

- canalizar o ataque pelos espaços mais vulneráveis do adversário;

- fixar a defesa numa zona e jogar noutra;

- alternar jogo directo / jogo indirecto;

- variar o ritmo de jogo.


JOGADOR:

- variar o ritmo e a intensidade dos deslocamentos;

- realizar coberturas ofensivas ao portador da bola;

- para receber a bola, correr ao encontro dela (especialmente quando se recebe um passe longo);

- movimentar-se, afastando-se dos adversários;

- antes de tentar ultrapassar o adversário directo, procurar desequilibrá-lo através de uma simulação,

- assumir a iniciativa que a posse de bola confere, obrigando o defensor a adaptar-se;

- “atacar” o adversário com mudanças bruscas de direcção e velocidade;

- mascarar a direcção do passe;

- depois do passe movimentar-se para um espaço livre (desmarcações de apoio e/ou ruptura);

- ao conduzir a bola mantê-la mais perto de si do que do adversário;

- procurar o caminho para a baliza com objectividade e agressividade;

- tirar partido da vantagem de jogar de frente para a baliza adversária;

- explorar os pontos mais débeis do adversário (lado mais fraco).

(Adaptado Gréhaigne, 1992, citado por Garganta e Pinto, 1998)

Rui Rebelo -Treinador Futebol nível II BASIC - UEFA (ex treinador do G.D.Resende)

quarta-feira, maio 19, 2010

Transição defesa-ataque

Caracteriza-se por:

- utilização de métodos de jogo defensivos em que os jogadores se posicionam e se concentram muito perto da sua baliza (para convidar o adversário a subir no terreno);
- simplicidade do processo ofensivo (reduzido número de jogadores intervenientes).

Imediantamente após a recuperação da posse da bola:

- mudança rápida de atitudes e comportamentos táctico-técnicos individuais e colectivos;
- rápida transição da zona de recuperação da bola para zonas predominantemente de finalização;
- reduzido tempo de elaboração/construção do processo ofensivo;
- predomínio de passes em profundidade (1º e 2º toque);
- predomínio de desmarcações directas e de ruptura;
- resolução de situações de 1x1 em velocidade.

Aspectos favoráveis:

a rápida transição de atitudes e comportamentos, cria condições de instabilidade no processo defensivo do adversário (o adversário não tem tempo para se reorganizar defensivamente);
- a movimentação dos jogadores, preferencialmente de trás para a frente da linha da bola, aumentando as dificuldades de marcação;
- contínua modificação do ângulo de ataque (condições favoráveis de espaço)

Aspectos desfavoráveis:

- elevada velocidade de execução táctico-técnica, implica maiores probabilidades de perda da bola;
- os jogadores encontram-se quase sempre em situações de igualdade ou inferioridade numérica, o que exige elevados níveis de eficiência nas situações de 1x1 e 1x2;
- menor grau de coesão, de solidariedade (método de jogo demasiado individual) e ainda menor cobertura nas situações de jogo;
- rápido desgaste físico dos jogadores (principalmente os atacantes);
- utilização de métodos de jogo defensivos onde se verifica uma grande concentração de jogadores perto da sua baliza, o que implica maior risco na recuperação da bola.

Bibliografia:
adaptado de Jorge Castelo

Rui Rebelo -Treinador Futebol nível II BASIC - UEFA (ex treinador do G.D.Resende)

quarta-feira, maio 12, 2010

Treino: Psicologia do Desporto

Estratégias para melhorar a relação treinador-atleta

Torna-se fundamental que o treinador seja um prático reflexivo, isto é, proceda de uma forma regular à autoavaliação dos seus próprios comportamentos. De acordo com esta perspectiva, Smol e Smith (1984, citados por Serpa, 1996) sugeriram algumas linhas de orientação práticas para os comportamentos dos treinadores:

I – REACÇÃO FACE AOS COMPORTAMENTOS DOS ATLETAS

a) Boa jogada (ou prova)
FAZER – feedback de reforço, valorizar tanto o esforço como o resultado, olhando para os aspectos positivos daquilo que fazem.
NÃO FAZER – partir do princípio que o esforço dos atletas é uma obrigação.

b) Erros (falhas variadas)
FAZER – feedback de encorajamento e instruções para corrigir o que esteve mal. Falar em coisas boas que podem acontecer se cumprirem as indicações.
NÃO FAZER – castigar, a punição pode ocorrer de várias formas (substituição, expressão facial e/ou gestos).

c) Comportamentos inadequados (faltas de concentração)
FAZER – explicar que num jogo todos os atletas fazem parte da equipa (mesmo os que estão no banco), reforçar positivamente a participação na equipa.
NÃO FAZER – ameaçar os atletas, recorrer a castigos físicos (flexões, abdominais).

II – DEIXAR QUE AS COISAS POSITIVAS ACONTEÇAM
FAZER – desempenhar o papel de professor, considerando a participação desportiva como uma experiência de aprendizagem. Intervir sempre de forma positiva e clara, exemplificando como se faz.
FAZER – encorajar de uma forma selectiva em vez de pedir e/ou exigir resultados.
FAZER – concentrar-se no jogo (ou prova), estar na competição com os atletas, sendo o principal exemplo para a coesão da equipa.
NÃO FAZER – ironizar ou gozar através das instruções. Não irritar os atletas.

Rui Rebelo -Treinador Futebol nível II BASIC - UEFA (ex treinador do G.D.Resende)

quarta-feira, maio 05, 2010

Treino: Entrevista a José Mourinho

Não sou agarrado a conceitos. No entanto, aquilo que leio faz-me reflectir sobre assuntos que para muitos são conceitos transformados em verdades absolutas. Desculpem-me os que são crentes, mas para nós não passam de vocabulário desactualizado.Refiro-me a conceitos como treino físico, preparação física, pastas de preparação física, entre outros. Não critico quem pensa desta forma. Critico quem compara o nosso processo com outros processos. Os processos de treino e competição são todos diferentes. Para nós é uma questão de concepção, mas mais do que isso é uma questão de “operacionalização”. Começo por dizer o que tenho dito noutras alturas: não tenho preparador físico, pelo que não posso ter pastas de preparação física, pois como líder responsável pelo processo não teria pasta para lhe dar! Tenho sim colaboradores no processo de treino e jogo, com funções muito específicas, de acordo com as necessidades de gestão de uma época longa. Tudo se relaciona com a forma como treinamos. Não temos espaço para o treino físico, isto é, não temos espaço para os tradicionais treinos de resistência, força ou velocidade. É tudo uma questão de comportamentos! Exercitamos o nosso modelo de jogo, exercitamos os nossos princípios e subprincípios de jogo, adaptamos os jogadores a ideias comuns a todos, de forma a estabelecer a mesma linguagem comportamental. Trabalhamos exclusivamente as situações de jogo que me interessam, fazemos a sua distribuição semanal de acordo com a nossa lógica de recuperação, treino e competição, progressividade e alternância. Criamos hábitos com vista à manutenção da forma desportiva da equipa, que se traduz por um frequente “jogar bem”.Sei que é uma questão difícil de desmontar sob o ponto de vista cultural. Além do mais existem pessoas, por direito próprio, a pensar de forma radicalmente oposta. Mesmo para os que dizem treinar com situações de jogos reduzidos, porque mesmo esses vivem agarrados e obcecados com tempos de exercitação, de repouso, repetições, etc. Todas estas questões são para nós “acessórias”. O que é crucial é mesmo o conteúdo de princípios de jogo inerentes a cada exercício e a relação interactiva que estabelecemos com o mesmo. O que é mesmo fundamental é entender que aquilo que procuramos é a qualidade de trabalho e não a quantidade, treinar para jogar melhor.

José Mourinho, na revista Record DEZ de 15 de Outubro de 2005

Rui Rebelo -Treinador Futebol nível II BASIC - UEFA (ex treinador do G.D.Resende)

quarta-feira, abril 28, 2010

Treino: Formas de Ensino dos Jogos Desportivos Colectivos - Futebol

Formas centradas nas Técnicas

Características
- Das técnicas analíticas para o jogo formal;
- O jogo é decomposto em elementos técnicos (passe, recepção, drible,...);
- Hierarquização das técnicas (1º a técnica A, depois a técnica B, etc.).

Consequências
- Acções de jogo mecanizadas, pouco criativas, comportamentos estereotipados;
- Problemas na compreensão do jogo (leitura deficiente, soluções pobres).

Forma centrada no Jogo Formal

Características
- Utilização exclusiva do jogo formal;
- O jogo não é condicionado nem decomposto;
- A técnica surge para responder a situações globais não orientadas.

Consequências
- Jogo criativo mas com base no individualismo; virtuosismo técnico contrastando com anarquia táctica;
- Soluções motoras variadas mas com inúmeras lacunas tácticas e descoordenação das acções colectivas.

Formas centradas nos Jogos Reduzidos Condicionados

Características
- Do jogo para as situações particulares;
- O jogo é decomposto em unidades funcionais; jogo sistemático de complexidade crescente;
- Os Princípios do Jogo regulam a aprendizagem;

Consequências
- As técnicas surgem em função da táctica, de forma orientada e provocada;
- Inteligência táctica: correcta interpretação e aplicação dos Princípios do Jogo; viabilização da técnica e criatividade nas acções de jogo.

PRINCÍPIOS DE JOGO
penetração x contenção
cobertura ofensiva x cobertura defensiva
mobilidade x equilíbrio
espaço x concentração

Formas metodológicas de abordagem dos JDC (adap. Garganta, 1985)

Rui Rebelo -Treinador Futebol nível II BASIC - UEFA (ex treinador do G.D.Resende)

quarta-feira, abril 21, 2010

Treino: Relação entre Coesão e Rendimento Desportivo

O conhecimento empírico indica que as equipas, mais coesas, caracterizam-se por possuírem atletas mais comprometidos com os objectivos do grupo, procurando assim alcançar o máximo das suas capacidades desportivas, o que resulta em sucesso desportivo para equipa. Assim, estamos perante uma relação positiva entre Coesão e Rendimento Desportivo. Mas, também podemos analisar esta relação em sentido contrário, isto é, o Rendimento Desportivo promover, por si só, um aumento dos níveis de Coesão do grupo. Sendo assim podemos questionarmo-nos: a Coesão promove o Rendimento Desportivo? O Rendimento Desportivo promove a Coesão? Qual a direcção de causalidade? E os contextos onde ocorre a prática são importantes? Ao longo dos anos, vários têm sido os estudos que procuram dar resposta a estas questões. Carron (1988, citado por Cruz & Antunes, 1996), numa revisão de estudos, refere que 83% dessas investigações demonstraram uma relação positiva entre Coesão e Rendimento Desportivo. Apesar disto, o mesmo autor, aponta ainda para a existência de um número mínimo de investigações onde é referida uma relação negativa entre Coesão e Rendimento.
Uma vez que a maioria dos estudos indica uma relação positiva entre Coesão e Rendimento, há que tentar saber qual a relação causal predominante. Carron e Ball, 1977; Landers, Wilkinson, Hatfield e Barber, 1982 (citados por Cruz & Antunes, 1996) concluíram que a relação Rendimento – Coesão é mais forte do que a relação Coesão – Rendimento. Widmeyer e colaboradores (1993), citados pelos mesmos autores, também numa revisão de estudos, concluíram que a relação causal entre Rendimento e Coesão é mais forte do que a relação entre Coesão e Rendimento. Hanrahan e Gallois (1993, citados por Cruz & Antunes, 1996) dizem-nos igualmente que o Rendimento Desportivo promove a Coesão e que a relação inversa parece ser um pouco mais fraca.
Um aspecto importante é a verificação da existência de variáveis moderadoras que podem interferir neste processo relacional. A este respeito, Iordanoglou (1993, citado por Cruz & Antunes, 1996) indica-nos que a natureza da tarefa pode ser considerada como potencial explicação para a inconsistência de certos resultados das investigações. O autor estudado alerta-nos, por exemplo, para o grau de interacção entre os elementos da equipa. Nas modalidades onde cada atleta executa as suas tarefas com pouca dependência dos seus colegas (exemplo do atletismo-estafetas) a Coesão parece assumir menos importância do que noutras modalidades (exemplo do Futebol) onde é atribuído um maior papel à Coesão no Rendimento Desportivo. Outro factor determinante é a aceitação e clareza das tarefas assumidas pelos praticantes como podendo ajudar a aumentar a Coesão e, consequentemente, a performance obtida (Widmeyer e colaboradores, 1993, citados por Cruz & Antunes, 1996).
Por fim, numa, não muito longínqua, tentativa de clarificar melhor a relação que temos vindo a tratar, Carron e Colaboradores (2002) analisaram uma série de investigações realizadas neste âmbito e verificaram a existência de uma relação significativa entre as duas variáveis. Relativamente à influência dos factores moderadores, concluíram que o tipo de modalidade praticada era insignificativo na ligação entre Coesão e Rendimento, o que contradiz, de certa forma, as citações anteriores. Também na direcção de causalidade não foram encontradas diferenças, significando isto que tanto a Coesão contribui para o Rendimento como a Performance contribui para a Coesão. Por último há que referir que os investigadores encontraram uma maior relação entre a Coesão e o Rendimento Desportivo nas modalidades femininas.
Na investigação científica, por vezes, a verdade vai sendo alterada com o aumento qualitativo dos estudos realizados. Pelas leituras que efectuámos, parece-nos haver consenso quanto a existência de uma forte relação entre Coesão e Rendimento. Quanto à direcção de causalidade, a literatura indica que ela é mais forte quando é o Rendimento a promover a Coesão. O contrário, isto é, ser a Coesão a promover o Rendimento também se verifica, embora de uma forma menos fugaz. Os investigadores alertam também para os contextos onde são efectuadas as investigações, nomeadamente na distinção entre as modalidades colectivas e individuais.

Resumo do trabalho de Psicologia - Mestrado Desporto Crianças e Jovens FADE-UP

Rui Rebelo -Treinador Futebol nível II BASIC - UEFA (ex treinador do G.D.Resende)

quarta-feira, abril 14, 2010

Treino: Formação Desportiva: características das crianças dos 8-10 anos

A Formação Desportiva do jovem é um trabalho a longo prazo que não pode efectuar-se fora do respeito pelas etapas de desenvolvimento do indivíduo. A evolução motora, psicológica e sócio-afectiva, das crianças e jovens, desenrolam-se de acordo com etapas e leis biológicas bem definidas.
Esta evolução traduz um processo constante mas ao mesmo tempo descontínuo, por ciclos, onde cada um destes apresenta uma caracterização específica e diversificada. A caracterização é que permite apontar as etapas do desenvolvimento do ser humano e que, no caso da criança e do jovem, genericamente se aceita serem:
- primeira infância: nascimento – 3 anos;
- segunda infância: 3 anos – 7 anos;
- terceira infância: 7/8 anos – 12/13 anos, que compreende 2 períodos:
- 7/8 anos – 10/11 anos;
- 10/11 anos – 12/13 anos.
- puberdade: 12/13 anos – 15 anos.

TERCEIRA INFÂNCIA (8 – 10 ANOS)

Desenvolvimento Motor:
- grau de desenvolvimento esquelético é moderado e estável;
- volume do coração é muito mais pequeno em relação ao resto do corpo do que em qualquer outro período de crescimento;
- esqueleto, particularmente ao nível das cartilagens articulares, está longe da máxima resistência ao esforço, encontrando-se numa fase de evolução activa;
- massa muscular representa uma pequena percentagem do peso do corpo da criança. As suas possibilidades de Força são fracas;
- boa capacidade de aprendizagem;
- gosto pelo movimento, pelo jogo e pelas actividades físicas;
- fraca capacidade de atenção / fraca possibilidade de integração e de retenção de conteúdos;
- boa capacidade de imaginação;
- pensamento concreto e o pensamento egocêntrico;
- gostam de ser o centro das atenções;
- constituição física equilibrada e harmoniosa, havendo poucas diferenças entre os rapazes e as raparigas;
- boa predisposição para os esforços muito curtos e intensos;
- boa predisposição para o desenvolvimento da flexibilidade e da velocidade de reacção;
- boa predisposição para o desenvolvimento das capacidades coordenativas.

BIBLIOGRAFIA
- Lima, T.; Alberto, C.; Gonçalves; Coelho, O.; Longo, C.; Raposo, V.; Vieira, J.; Almeida, J. P. (1989). Manual do Monitor. Lisboa: Grafispaço Lda.

- Pacheco, R. (2001). O ensino do futebol de 7. Porto: Grafiasa.

Rui Rebelo -Treinador Futebol nível II BASIC - UEFA (ex treinador do G.D.Resende)

quarta-feira, abril 07, 2010

Treino: PERIODIZAÇÃO TÁCTICA

Princípios Orientadores Metodológicos

. a componente Táctica comanda todo processo de treino: as outras componentes (física, técnica, psicológica e cognitiva) deverão surgir em função das exigências dos aspectos tácticos e do Modelo de Jogo Adoptado (MJA);
. estar em forma é cumprir as exigências do Modelo de Jogo Adoptado (MJA) e não, apenas, estar bem fisicamente....;
. trabalhar com intensidades altas relativas;
. o volume (tempo de execução do exercício) nunca deve prejudicar a intensidade (velocidade de execução do exercício);
. operacionalizar o princípio da especificidade do MJA (os exercícios de treino deverão, sempre que possível, ser situações que acontecem no contexto jogo);

. atender à planificação Táctica Semanal (MJA / Sub.Modelo Táctico-estratégico em função do próximo adversário);
· uma vez que se trabalha com intensidades altas, é necessário não descurar os processos de recuperação dos jogos e treinos (estiramentos/exercícios aeróbios);
· exercícios devem ser motivadores/lúdicos e sempre com competição (tal como no jogo).

Numa metodologia de PERIODIZAÇÃO TÁCTICA apresento um exemplo de INTENSIDADES DE TREINO, para uma equipa amadora, com um micro-ciclo semanal de 4 unidades

* nota: os conteúdos de treino que apresento como exemplo devem, sempre que possível, ser operacionalizados em função das questões tácticas do MJA (exemplo: finalização, fruto das movimentações ofensivas definidas no MJA)

- Domingo: jogo (intensidade 100%)

- 2ª feira: treino recuperação (está provado cientificamente que a recuperação deve ser efectuada o mais perto possível do jogo)
em regime aeróbio:
*futevolei;
*trabalho técnico;
*circulação táctica/finalização
(...)

- 3ª feira: folga

- 4ª feira e 5ª feira: as unidades de treino de maior intensidade (90 %, 80% ) uma vez que são os 2 dias a meio da semana
* transições defesa-ataque-defesa
(...)
- 6ª feira: redução da intensidade (70%) com o aproximar da competição
* organização ofensiva/defensiva;
* esquemas tácticos (situações estratégicas, "bolas paradas")
(...)

adaptado de


- Mourinho: porquê tantas vitórias - Bruno Oliveira, Nuno Amieiro, Nuno Resende, Ricardo Barreto (2006)
- No treino Futebol rendimento superior a recuperação é...muitíssimo mais que recuperar - Carlos Carvalhal (2001)
- Apontamentos do Curso treinadores de Futebol - A.F.Viseu (2001)
 
Rui Rebelo -Treinador Futebol nível II BASIC - UEFA (ex treinador do G.D.Resende)

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

Modelo de Treino

Queremos agradecer uma vez mais ao Prof. João Bento que muita qualidade tem conferido ao blog com os seus textos e queremos também agradecer ao Jornal "O Golo" por nos permitir colocar o texto no blog, uma vez que o texto era inicialmente destinado apenas ao referido jornal. O nosso muito obrigado a ambos.

1) Modelo de Treino:
Depois de efectuado todo o trabalho indicado no número anterior, definição do modelo de jogo, é necessário delinear um conjunto de exercícios, que indo ao seu encontro, o consubstanciem, iniciando-se logo aquando da mobilização geral, o chamado aquecimento. Se pretendo que, no meu modelo de jogo, os atletas executem, com elevado grau de sucesso, vários tipos de passe/recepção, devo estimular esses gestos técnicos ao longo de todo o treino, mobilização incluída.

Coloco, de seguida, dois exemplos elucidativos de exercícios de mobilização que, para além de terem como objectivo a activação muscular inicial, preparam o atleta para as solicitações técnicas que o modelo de jogo privilegia.


Exercício1
Objectivos técnicos: variedade de passe/recepção - Recepção a passe médio e longo; tabela simples; passe curto, médio e longo; condução de bola.

Objectivos físicos: Variáveis conforme o pretendido para a unidade de treino que se segue, podendo-se, para isso, adaptar, ao longo do exercício, o tipo de deslocamento a efectuar pelos atletas.

Objectivos psicológicos: Exigência de concentração ao longo do exercício, nomeadamente aquando da colocação de um número superior a 2 bolas ao mesmo tempo.

Descrição do exercício: Neste exercício, colocamos os atletas dispostos em quatro filas conforme a figura, podendo em caso do número de atletas ser superior ou inferior a múltiplos de 4, colocar-se número diferenciado de atletas nas filas um (onde se inicia com bola o exercício) e dois, preferencialmente.

Os atletas, colocados no sector um, executam passe curto para os atletas colocados no sector dois, recebendo destes uma tabela curta e colocam, alternadamente, através de passe longo, a bola numa das filas, do sector 3, para onde se deslocam, mobilizando braços e pernas numa primeira fase e efectuando corrida em velocidade máxima, na fase final do exercício.

Os atletas, colocados no sector dois, recebem passe do colega situado no sector um, executam tabela simples para o mesmo atleta e deslocam-se em skippings variados para o sector um.

Os atletas, colocados nas filas do sector três, recebem passe longo do colega do sector um, fazem condução de bola até ao sector dois e, através de passe médio, colocam a bola num companheiro do sector um, mantendo-se no sector dois.

O exercício realiza-se com duas bolas ao mesmo tempo o que permite passes alternados para as duas filas do sector três. Poder-se-á realizar com número superior de bolas.


Exercício2

Objectivos técnicos: variedade de gestos técnicos - passe utilizando ora o pé direito, ora o pé esquerdo: rasteiro com parte interior do pé, com peito do pé, de raquete; passe de cabeça com e sem salto; recepção com peito e devolução variada com pés ou cabeça; (…)

Objectivos físicos: Variáveis conforme o pretendido para a unidade de treino que se segue, podendo-se, para isso, adaptar, ao longo do exercício, o tipo de deslocamento a efectuar pelos atletas.

Objectivos psicológicos: Exigência de concentração ao longo do exercício, nomeadamente para o atleta, dentro da roda, verificar qual o colega livre para onde se deve deslocar e para o atleta, fora da roda, estar pronto a colocar a bola num atleta que o solicite.

Descrição do exercício: Neste exercício, colocamos os atletas dispostos em dois grupos: um grupo dentro da roda sem bola e outro colocado fora da roda, em locais sinalizados com mecos, com uma bola.

Os atletas, colocados dentro da roda, deslocam-se a um atleta com bola a fim de executar um determinado gesto técnico ordenado pelo treinador. Executado esse gesto técnico, desloca-se até à vara, colocada no centro da roda, a mobilizar braços e pernas e, de seguida, procura um outro colega com bola liberto junto do qual irá executar, novamente, o mesmo gesto técnico. Proceder-se-á, assim, sucessivamente ao longo de tempo determinado pelo treinador (pode ir de 30 a 60 segundos conforme objectivo, podendo e devendo variar ao longo do exercício) que, ao apitar, inverte a ordem dos atletas: os que estão dentro da roda, passam para fora e os que estão fora, passam para dentro, repetindo o mesmo tipo de exercício, realizado antes pelos colegas.

O exercício continua nestes moldes, mudando somente o gesto técnico a efectuar e o tipo de deslocamento do atleta (depois de mobilização, pode-se solicitar que os atletas executem skipping ou velocidade).

Outro exemplo diz respeito aos exercícios de finalização. Não fará sentido que, ao definir-se um modelo de jogo em que os laterais actuam, preferencialmente, em contenção, se coloquem os mesmos a fazer finalização, efectuando cruzamentos sucessivos. Se definimos como estrutura o clássico 1-4-3-3, não faz sentido realizar exercícios de finalização com 2 pontas de lança (…)
Se definimos, como característica principal do modelo de jogo, o passe longo e a subida em bloco da equipa, não fará sentido o treino intensivo da manutenção da posse de bola. Será, contudo, primordial recorrer a este tipo de treino, caso a característica seja de um jogo mais estruturado de pé para pé com progressão no terreno em posse de bola.
Seguidamente, apresentarei, a título meramente exemplificativo, dois exercícios de treino, que particularmente privilegio, elencando, também, os objectivos a atingir com os mesmos:


Exercício3

Objectivos técnicos: Passe, recepção, ataque organizado, pressão, contra-ataque, finalização, organização defensiva.

Objectivos físicos: Resistência específica

Objectivos psicológicos: Elevada concentração ao longo do exercício

Descrição do exercício: Divide-se o grupo em três equipas de 6 jogadores cada e um guarda-redes (poderão ser equipas de 5 ou 7, conforme o número de atletas disponíveis, mas tendo, sempre, a preocupação de colocar, na mesma equipa, jogadores que actuem em duas linhas consecutivas, ou seja, defesas com médios e médios com avançados).

Numa primeira fase, poder-se-á utilizar este exercício, definindo um tempo de jogo para que duas equipas joguem, tendo como única condicionante o limite de 2/3 toques consecutivos no 2º terço do campo, enquanto uma terceira equipa realiza trabalho específico, fora do terreno de jogo, e, decorrido o tempo estabelecido, por exemplo 10 minutos, as equipas vão rodando.

Numa segunda fase, poder-se-á utilizar o mesmo campo, mas com as três equipas a trocar ao golo, ou seja, saindo de jogo a equipa que sofrer.

Numa última fase, o exercício realiza-se com uma equipa, a que sai com posse de bola a ter o primeiro terço onde não sendo pressionada organiza o seu ataque (realiza por isso ataque organizado), enquanto que a outra equipa define essa linha do primeiro terço do adversário como a sua linha de pressão e, a partir do momento em que o adversário a transpõe pressiona de acordo com o modelo de jogo definido (marcação hxh, zonal ou mista). Desde que não sofra golo, mantém-se em campo, podendo ou não realizar contra-ataque. Ao entrar a equipa que se encontra fora de campo, invertem-se os papéis: a equipa que defendia, realiza ataque organizado, a equipa que entra, pressiona, após passagem do adversário da zona de pressão definida.


Exercício 4

Objectivos técnicos: Contra-ataque; ataque organizado com superioridade nos corredores laterais.

Objectivo secundário: recuperação defensiva e evitar o contra-ataque.

Objectivos físicos: resistência específica.

Objectivos psicológicos: Segurança na posse de bola (auto-controlo), visão periférica, para atacantes. Pressão sobre os atacantes, levando-os a crise de tempo, espaço e precisão, por parte dos defesas.

Descrição do exercício: Jogo em campo inteiro. Uma das equipas inicia com a bola, mantendo-a dentro da área marcada com mecos podendo socorrer-se de passes de apoio (tantos conforme o estabelecido) ao jogador fora dessa área, que tem de devolver a “2 toques”, sem que ninguém o possa “desarmar”. Esta equipa somente pode finalizar, se conseguir que um dos seus atletas ultrapasse, em condução de bola, a zona delimitada por mecos e por entre as varas (corredores laterais), finalizando sempre em situações de superioridade numérica (3x1; 4x1; … ). Quando a equipa que recupera a posse da bola o consegue fazer, sai obrigatoriamente em “contra-ataque”, podendo somente utilizar um passe para trás e se conseguir colocar a bola no 1º terço do adversário, apenas pode ser defendido pelo jogador que iniciou o exercício ou por mais um defesa, podendo colocar 3 / 4 jogadores na zona de finalização. Neste momento, a equipa que faz ataque organizado terá de ter a preocupação de recuperar defensivamente, evitando o contra-ataque do adversário. Quando a bola é recuperada pela equipa que passou a defender, o exercício pára, recomeçando no mesmo jogador. Decorrido algum tempo (10 a 15 minutos, em função de objectivos particulares), trocam-se as funções nas equipas.
Como variante, o decurso do exercício, após a “saída” do contra-ataque, pode ser de sucessivos “contra-ataques” a um e outro lado, até a bola se perder, aumentando, assim, a exigência em “resistência específica” deste exercício.

No fundo, o modelo de preparação/treino terá de estar orientado para uma preparação táctico-técnica, cujo principal objectivo seja estimular as solicitações que o modelo e os seus princípios e sub-princípios determinam e impõem.

Note-se que, cada vez mais, o treino tradicional/analítico se encontra menos em voga, em detrimento do treino integrado, assente na periodização táctica, em que o princípio da especificidade conduz todo o trabalho a efectuar. Neste modelo de treino, a componente táctica, com predomínio de exercícios específicos do modelo de jogo adoptado, é alvo de uma periodização e de um planeamento dinâmicos, que fazem com que a dimensão física surja arrastada pela dimensão táctica, ainda que em paralelo, procurando, assim, que o atleta se apresente fisicamente preparado para o tipo de esforço que o modelo de jogo definido exige.

O futebol, pela especificidade de que se reveste, necessita, actualmente, que se deixe, definitivamente, de lado a ideia do treino assente na correlação entre volumes e intensidades, em que para um ser alto, o outro tem de baixar. Hoje em dia, é necessário que, tudo quanto o atleta faça em treino, seja realizado em intensidades máximas, mesmo sabendo que estas vão variando, necessariamente, ao longo da época, resultado daquilo que o atleta pode dar em determinado momento. Como dizia um dos prelectores que tive no curso UEFA Advanced, a prova mais clara da especificidade de esforço físico do futebol e da sua enorme diferença para com o atletismo é que, se nós colocarmos um atleta de top da maratona a jogar futebol de 11, ele “rebenta” em menos de meia hora…

Mais do que nunca, treinar futebol só pode ter um significado: fazê-lo a jogar. E jogar é fazê-lo de acordo com o modelo de jogo definido.

“Um exército vitorioso ganha primeiro e inicia a batalha depois; um exército derrotado luta primeiro e tenta obter a vitória depois.
Esta é a diferença entre os que têm estratégia e os que não têm planos premeditados.” – Suntzu “A arte da Guerra” – sec. IV a.c

João Bento

quinta-feira, novembro 06, 2008

O primeiro passo de um treinador: Definição do Modelo de Jogo

Iniciamos hoje aqui uma rubrica sobre treino. Queremos agradecer uma vez mais ao Prof. João Bento que muita qualidade tem conferido ao blog com os seus textos e queremos também agradecer ao Jornal "O Golo" por nos permitir colocar o texto no blog, uma vez que o texto era inicialmente destinado apenas ao referido jornal. O nosso muito obrigado a ambos.

O primeiro passo de um treinador: Definição do Modelo de Jogo

Ao iniciar a minha colaboração com este jornal, decidi fazê-lo da forma como entendo que tudo deve ser iniciado, ou seja, debruçando-me sobre aquilo que considero ser o primeiro (e decisivo) passo de um treinador de futebol, quando inicia uma época desportiva: Definição do Modelo de Jogo.

A exemplo do que fiz, quando decidi aceitar o honroso convite que me foi endereçado, em que defini a minha forma de intervenção, os objectivos a alcançar e as linhas orientadoras dos meus textos, também, quando se inicia a preparação da época futebolística, se deverá definir o conjunto de princípios que entendemos como fundamentais para darem organização e sentido à nossa equipa - a isto chama-se definir o Modelo de Jogo.

Respondida aquela que é, na minha opinião (e tudo o que irei escrever se resumirá a isso mesmo - à minha opinião muito própria alicerçada na minha experiência), a primeira questão importante – O que é o modelo de jogo? - passarei à segunda grande questão - Quem define o modelo de jogo?

Creio que, ao nosso nível, o Modelo de Jogo deve ser elaborado por um conjunto vasto de pessoas, sendo de primordial importância que todos os técnicos do clube sejam ouvidos e tenham poder de intervenção. Mas a estes, deveremos juntar todos os outros intervenientes do clube, a quem possamos reconhecer capacidade de intervir até porque cada clube tem características muito próprias, resultado da sua história, das suas condições estruturais, das suas ambições, da sua estabilidade financeira e directiva (ou falta dela …), etc.

Entender que o treinador dos seniores é o supra sumo do saber e que deverá ser ele a definir e a impor o modelo de jogo para o clube, é o principio do fim de uma necessidade que me parece premente - a definição de um modelo de jogo de clube, ao invés da definição de um modelo de jogo de equipa. Ninguém, no seu perfeito juízo, com identidade própria e sem qualquer necessidade de subserviência, se sujeita a algo que lhe seja imposto, sem que tenha tido oportunidade de opinar. Mesmo quem o faz numa primeira fase, somente se sujeita a tal ou para manter o seu posto de trabalho ou para justificar os possíveis inêxitos que possa vir a alcançar…
Esta consideração levar-nos-ia a um outro tema que poderei abordar num futuro texto: qual o papel do treinador da equipa sénior nos escalões de formação?

Passemos, pois, à questão principal deste texto: o que deve incluir o modelo de jogo?

Sendo o modelo de jogo, como o defini anteriormente, o conjunto de princípios que conferem organização e são fundamentais para darem sentido à nossa equipa, devemos especificar esses princípios:

1) A ideia dos intervenientes (treinadores e outros como já foi referido na resposta à 2ª questão: quem define o modelo de jogo?);
2) Princípios e sub-princípios de jogo que conduzam à organização funcional da equipa;
3) Características dos jogadores;
4) Organização estrutural.


1) A ideia dos intervenientes:
Será necessário aqui definir as linhas gerais do modelo de jogo. Que tipo de jogadores? Que objectivos de equipa? Que ambições? Que condições físicas e estruturais possuímos? Que tipo de futebol praticar (impositivo ou de contenção)? Que atitude competitiva dos atletas? Que tipo de organização colectiva? Etc.


2) Princípios e sub-princípios de jogo:
Neste capítulo, é essencial definir o que cada jogador e a equipa têm de efectuar nos momentos de jogo: organização ofensiva; organização defensiva; transição ataque-defesa e transição defesa-ataque.

É aqui que se devem descrever os comportamentos individuais e colectivos, aquando do ganho e da perda de bola e respectivos momentos de transição, nomeadamente: a definição da(s) linha(s) de pressão (decisiva para perceber, por exemplo, se se irá privilegiar o ataque apoiado e em segurança ou o ataque rápido/contra-ataque - uma linha de pressão alta com ganhos previsíveis no último terço do adversário não faculta espaço suficiente para se poder desenvolver contra-ataque; ao invés, uma linha de pressão mais “curta” impede “campo comprido” ao adversário, mas também à nossa equipa para desenvolver ataque organizado); o tipo de marcação ao adversário nas diferentes zonas do campo (em que zonas jogamos em marcação à zona, em resultado da inferioridade numérica – comum no primeiro terço do adversário que joga, normalmente, com 4 defesas contra os 3 avançados do “nosso” 1-4-3-3 - e em que zonas assumimos a marcação individual por nos encontrarmos em superioridade numérica em relação ao adversário – comum no nosso primeiro terço do campo pelo factor inverso do atrás expresso); a atitude mental dos atletas (rapidez na mudança de atitude defender/atacar e atacar/defender); o método de jogo ofensivo privilegiado (ataque apoiado e em segurança; ataque rápido/contra-ataque; futebol directo; …) etc.


3) Características dos jogadores:
Esta é uma das condições fundamentais para a definição do modelo de jogo e, dependendo do momento dessa definição, esta condição terá nuances diferenciadas.

Assim, se a definição do modelo de jogo é elaborada antes da constituição do plantel, as características dos jogadores devem ser aquelas que melhor servem o modelo de jogo definido. Quando o modelo de jogo é elaborado depois do plantel estar concluído, é o modelo de jogo que terá de ser definido de acordo com as características dos atletas, tendo sempre presente que, no que ao ponto anterior diz respeito (princípios e sub-princípios de jogo), estes deverão estar sempre acima dos interesses/características individuais dos atletas, pois são a identidade do modelo de jogo que se elaborou com base nas características do clube e que deve ter sempre, e em qualquer circunstância, como uma das suas características principais e fundamentais a sobreposição do interesse colectivo face ao individual!


4) Organização estrutural:
Aquilo que vulgarmente é, de forma incorrecta (como veremos a seguir), definido como sistema táctico, e que muitos entendem como o mais importante e até redutor quando definido enquanto modelo de jogo de clube, não deverá ser entendido dessa forma, na medida em que deverão ser definidas não só uma organização estrutural principal mas também uma outra alternativa, que, em alguns escalões, poderão ter a ordem invertida (e até mesmo ser adaptada) em função do ponto anterior - características dos jogadores. Assim, para além da definição da organização estrutural inicial e alternativa (os já referenciados sistemas tácticos que vão do tradicional 1-4-3-3 ao agora na moda 1-4-4-2 em losango, passando por outros que, ao serem definidos por alguns dos nossos comentadores, mais parecem números de telefone, como o 1-4-2-3-1), dever-se-ão definir: a forma como esses sistemas se adaptam aos vários sistemas tácticos que os adversários podem apresentar (jogando em 1-4-3-3, quem faz a marcação ao segundo ponta de lança adversário se a equipa opositora se apresentar em 1-4-4-2, por exemplo); as características individuais dos diferentes atletas por posição (por exemplo: que laterais pretendemos em função do nosso modelo de jogo - se são eles a fazer a marcação ao 2º ponta de lança deverão possuir como característica principal, a boa ocupação do corredor central e um bom sentido de marcação, mas se pretendemos que sejam eles a criar, ofensivamente, superioridade no seu corredor, já deverão possuir, como principal característica, um “bom pulmão” e elevada capacidade técnica, nomeadamente no gesto técnico cruzamento; no caso dos médios e no clássico 1-4-3-3, que triângulo vamos apresentar (1+2 ou 2+1); quem faz as compensações; quem executa, preferencialmente, os movimentos de ruptura; nos avançados, que movimentação preferencial se pede aos que actuam nos corredores; o ponta de lança deverá actuar de forma mais vertical, em apoios e sempre no enfiamento dos postes da baliza, ou deve procurar os corredores laterais, permitindo o aparecimentos dos outros dois avançados e/ou médio (s) ofensivo (s) no corredor central; …), linhas de passe (por atleta, em função do tipo de organização ofensiva definida - se queremos ataque apoiado em segurança, teremos de definir o passe curto como o mais adequado, exigindo, ainda assim, a obrigatoriedade, ou não, de mudança de zona e/ou corredor, mas se privilegiarmos o ataque directo teremos de definir linhas de passe mais longas e em ruptura) e movimentações colectivas preferenciais (por exemplo: mudanças de ritmos e de flanco, aquando do ganho da posse de bola, conseguindo com isso a criação de superioridade nos corredores ou o fecho de linhas de passe em largura e em profundidade, logo após a perda da posse de bola); jogadas estratégicas (da bola de saída aos vários livres – frontais, laterais, pontapés de canto – passando pelos lançamentos laterais);

Resumindo: da mesma forma que jamais conseguiria escrever este texto, sem anteriormente ter definido os princípios a focar e a desenvolver, não consigo entender aqueles que conseguem treinar e jogar, sem primeiramente definirem, exporem e aplicarem um modelo de jogo, definindo, de seguida, um conjunto de exercícios que, indo ao encontro do modelo de jogo definido, o consubstanciem. Será sobre este assunto, definição do Modelo de Treino para o Modelo de Jogo, que me debruçarei no próximo número.

“Se queres fingir desordem para convencer os teus adversários e distrai-los, primeiro tens que organizar a tua ordem, porque só então podes criar um desordem artificial” – Suntzu “A arte da Guerra” – sec. IV a.c.

João Bento
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