terça-feira, fevereiro 23, 2010

Declaração do ex- treinador do Resende

Ontem, 21 de Fevereiro, no final do Resende 0-0 Alvite, eu e o meu colaborador Sandro Lage, apresentámos a nossa demissão ao presidente do Grupo Desportivo de Resende. A decisão não foi "a quente" pois estava a ser reflectida já há uns dias, embora alguns acontecimentos, infelizmente habituais, antes da partida, acelerassem a nossa decisão...
Apesar do objectivo institucional do clube estar a ser perfeitamente atingido (a manutenção), os resultados menos bons das últimas jornadas (1 derrota e 3 empates consecutivos), fizeram com que já não fosse possível suportar algumas situações que provocam, constantemente, implicações negativas no desempenho da equipa e no bem estar dos atletas. Tratam-se de constrangimentos com os quais nunca concordamos e que se arrastavam desde a época passada, mas que têm vindo a piorar. Os mesmos são de natureza organizacional/estrutural, logísticos e de condições de trabalho básicos para grupo:
- terreno de jogo constantemente por passar/alisar antes da competição;
- inexistência completa de equipamentos de treino (equipamento é dos jogadores e é lavado também por eles);
- inexistência parcial de fatos-de-treino para os suplentes;
- inexistência de equipamento alternativo, o que obrigada a usar 1 de pequenas dimensões que foi em tempos dos Iniciados (os calções não servem aos jogadores todos);
- por vezes, ausência das bolas no estádio à hora do início da Unidade de Treino (causa muitos constrangimentos na metodologia utilizada, onde a bola, até no aquecimento, é utilizada);
- equipamento de jogo constantemente deficitário (meias rasgadas...);
- holofótes do estádio não funcionam na zona das balizas;
- estes aspectos, associados a outros, fazem com que a média de jogadores presentes no treino de 4ª feira seja aproximadamente de 9 atletas (já chegou a não haver treino por estarem presentes apenas 4 atletas);
- no recente jogo com o Alvite, até o saco de massagista desapareceu o que deixou alguns jogadores sem o seu habitual aquecimento muscular periférico;
(... )
Queremos também que fique registado que nada nos move, em termos pessoais, contra os dirigentes do GDResende, são cidadãos dignos e pelos quais nutrimos imenso respeito.
Deixámos o clube com 15 pontos a mais da zona de descida e 10 da zona de liguilha. Fará certamente uma boa ponta final de campeonato.
Tornar estas questões públicas destabiliza a equipa? Claro que não: pois o facto das pessoas tomarem conhecimento das circunstâncias em que estes bravos jogadores treinam e jogam, fará com que admirem, ainda mais, a sua coragem, determinação e espírito de sacríficio. Demosntram há muitos meses um enorme gosto pelo clube, pelo seu concelho e pela modalidade...

Aos nossos "GUERREIROS" (onde incluímos o massagista Ismael) queremos agradecer todo o seu empenho e dizer-lhes que temos imenso ORGULHO nos mesmos. Foi um prazer enorme poder trabalhar com jogadores já bastante experientes, dar a titularidade a vários jovens da formação do Resende, assim como, ensinar outros que, apesar de já serem seniores, nunca tinham jogado Futebol Federado, mas a sua qualidade e vontade em aprender têm sido fundamentais para as grandes épocas que estão a realizar. Durante meses formámos uma 2ª família; o Desporto tem destas coisas fantásticas...


Ainda a eles pedimos desculpa por esta "pequena traição", mas sabemos que compreendem e sabem melhor do que ninguém as razões da nossa decisão...

Estaremos ausentes fisicamente, mas o nosso espírito competitivo estará sempre presente no "nosso grito de guerra"...

OBRIGADO e muita coragem...

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